As noivas abriam a exposição . Perfiladas . Cada uma ostentando o seu rico vestido e seus perdidos olhares. Nas mãos , as flores de sempre. Prontas para ser arremessadas mediante a gritaria das solteiras sedentas pelo casório. Guerreiras armadas pelo amor e abnegação . Algumas jovens , outras nem tanto . Partem rumo a uma vida tão sonhada que nem percebem que as vezes o sonho não se torna realidade . Para algumas o sonho se torna um pesadelo . Vão moldando a vida como o barro do oleiro. Vão retirando das entranhas da terra , o seu sustento e a admiração de muitos . Prazeroso para algumas, tedioso para outros. É necessário amar o que se faz, independente da profissão . As ágeis mãos vão moldando e produzindo o que a mente e a tradição abrigam . E dali as noivas recebem os convidados que aproveitam a festa e deixam seus presentes. Mal sabem eles, que são as noivas as carregadoras dos presentes . Os presentes da vida , que é oferecer a beleza dos seus trabalhos.
|